----Oh... Estimado amigo Álvaro, que intensa saudade vou sentindo por cá. Aquelas belas e longas madrugadas que ambos tivemos o inefável prazer de partilhar com elegante e fluente esmero diluíram-se entre as sombras da noite, neste momento insidiosas e impositivas a roçar o fantasmagórico. O nosso «Olhai a Noite», que em breve ressurgirá sob o dedilhado de dois jovens e excelentes guitarristas, Miguel Amaral e André Teixeira, na imponente voz de Nelson Duarte, cada vez mais se adequa e alivia o peso da esconsa ambiência nocturna que perpassa. Estamos e vamos, prezado amigo, ficar lado a lado na memória fadista do passado, do presente e do advir. De resto e sem favor, somos dignos de que assim seja e permaneça. O «Olhai a Noite» propaga-se nas rondas do futuro. = Porto, 3/8/2008 - TdG


Olhai a noite / vêde as sombras dessas ruas / saudades que martirizam, que matam; / olhai a noite / refúgio das almas nuas / verdades que muitos sequer as notam. Não passo bem a noite sem um fado / não passo bem a noite sem beber / não passo bem a noite abandonado / não passo bem a noite sem te ver. Olhai a noite / nessas longas madrugadas / fadistas, à procuram de um destino; / olhai a noite / ermo imenso desses nadas / fatalistas vagueando em desatino.

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